Atualmente, o Brasil tem o segundo maior juro real do mundo, atrás apenas da Rússia. Mesmo com a expectativa de redução da taxa Selic ao longo dos próximos meses, economistas projetam um ciclo de queda lento e cauteloso, influenciado pelas perspectivas de inflação e pelas incertezas do cenário internacional.
Para o empresário, o impacto é imediato, já que esse cenário tem consequência direta para quem precisa de capital para crescer.
Com um crédito empresarial no Brasil custando entre 25% e 40% ao ano, um grupo crescente de empresários vem operando com uma lógica diferente: usam o imóvel que já possuem como ferramenta para captar capital via consórcio.
A mudança parece simples, mas representa uma nova forma de enxergar o patrimônio empresarial: não apenas como uma reserva de valor, mas como um instrumento para financiar o próximo ciclo de crescimento.
O imóvel como ativo estratégico
Durante muito tempo,os imóveis foram vistos apenas como ativos de proteção. Algo que vale dinheiro no papel, representa segurança no longo prazo e fica registrado no balanço como ativo permanente.
Mas, na prática, muitos desses ativos passam anos sem exercer qualquer papel na estratégia financeira da empresa.
Enquanto isso, empresários recorrem ao banco sempre que precisam de capital para expandir a operação, reforçar o caixa, adquirir equipamentos ou aproveitar oportunidades de mercado.
O paradoxo é evidente: a empresa possui um patrimônio valioso, mas continua buscando recursos apenas nas linhas tradicionais de crédito.
É justamente essa lógica que muitos empresários estão mudando.
Como essa estratégia funciona na prática
O consórcio de imóvel só pode ser usado para a compra de imóvel e a carta de crédito contemplada é enviada diretamente para quem vende o bem, não para a conta do consorciado.
À primeira vista, isso pode parecer uma limitação. Na prática, é justamente essa característica que torna possível estruturar uma operação capaz de transformar patrimônio em liquidez.
Funciona assim: imagine que um empresário possui um imóvel avaliado em R$ 2 milhões registrado em seu CPF e que ele precisa desse capital para expandir suas operações.
Em vez de vender o imóvel para terceiros ou contratar um empréstimo bancário, ele estrutura uma operação em que sua pessoa jurídica adquire esse imóvel utilizando uma carta de crédito contemplada.
Como determina a regra do consórcio, o pagamento é feito diretamente ao proprietário do imóvel.
Como o proprietário é o próprio empresário, ele recebe os recursos da venda e passa a ter capital disponível para reinvestir na empresa da forma que considerar mais estratégica: ampliar o capital de giro, investir em expansão, adquirir equipamentos ou reorganizar passivos mais caros.
A lógica também pode funcionar no sentido inverso.
Em determinadas situações, a pessoa física utiliza o consórcio para adquirir um imóvel pertencente à pessoa jurídica. A estrutura depende dos objetivos da operação, da composição patrimonial e das características de cada empresa.
Em ambos os casos, o patrimônio deixa de ser apenas um ativo imobilizado e passa a gerar liquidez para financiar o crescimento.
Por que essa estrutura é mais estratégica?
No crédito bancário tradicional, o empresário oferece o imóvel como garantia e, ainda assim, paga entre 25% e 40% ao ano pelo capital.
Embora a garantia reduza o risco da operação para o banco, essa vantagem nem sempre é refletida no custo final do crédito para a empresa.
Na operação via consórcio, a lógica é diferente: como não tem incidência de juros, apenas uma taxa administrativa de aproximadamente 10% ao ano, em uma operação de R$ 1 milhão, essa diferença pode representar até R$ 300 mil em economia ao longo da operação.
Ao mesmo tempo, o patrimônio continua pertencendo ao empresário e à sua estrutura patrimonial, ainda que com uma configuração societária diferente daquela existente antes da operação.
O que faz essa estratégia funcionar
Embora o conceito seja simples, a estruturação exige planejamento.
Não basta possuir um imóvel. É preciso avaliar fatores como:
- Valor do patrimônio;
- Necessidade de capital da empresa;
- Fluxo de caixa;
- Perfil dos grupos de consórcio;
- Estratégia de lances;
- Prazo desejado para acesso ao recurso.
Imóveis comerciais, residenciais, galpões e terrenos urbanos podem servir de base para operações de diferentes valores, desde que a estratégia seja construída de acordo com a realidade da empresa.
Sem esse planejamento, o empresário pode escolher grupos inadequados, adotar estratégias de lance ineficientes ou criar expectativas incompatíveis com a operação.
É justamente por isso que a consultoria da Único faz diferença. Desenhamos cada operação considerando o patrimônio disponível, os objetivos da empresa e o momento do negócio.
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